Internet brasileira cresce onde se tem mais lucro

Internet brasileira cresce onde se tem mais lucro. Números divulgados nesta quinta-feira, 20/6, pelo Centro de Estudos de TICs (Cetic.br), ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil, trazem um alento: pela primeira vez há mais brasileiros com acesso à Internet do que desconectados. Os dados são da pesquisa TIC Domicílios e se referem ao ano de 2012.

Fica claro, no entanto, que o avanço do uso da rede tem forte ligação com a renda. Daí que esse aumento no uso tenha sido verificado na emergente classe média brasileira. Entre os mais ricos e os mais pobres, praticamente não houve variação – para uns, o acesso já é universal; para os outros, quase inexistente.

“A pesquisa revela mais uma vez que temos dois Brasis, com diferenças por região, por área urbana ou rural e por classe socioeconômica. Em um deles, o uso da Internet é de padrão europeu. No outro, é muito baixo”, interpreta o gerente do Cetic.br, Alexandre Barbosa.

Em grandes números, a Internet já chegou a 40% dos domicílios do país, ou seja, 24,3 milhões deles. É um avanço notável desde o primeiro levantamento do Cetic.br, em 2008, quando apenas 18% das moradias contavam com acesso à rede mundial.

Ao mesmo tempo, nesses cinco anos o percentual de brasileiros conectados passou de 34% para 49% e, como mencionado, pela primeira vez acima dos 45% que nunca usaram a Internet – e que eram 61% do total em 2008. As somas não chegam a 100% por conta dos 5% a 6% que navegaram há mais de três meses.

No detalhe, porém, o fosso parece inamovível. Entre os mais ricos (classe A), o acesso se estabilizou em 94%, sem que estivesse muito distante disso em 2008 (89%). Entre os mais pobres (classes D/E), tampouco houve alteração acima da margem de erro estatística: o percentual vem variando entre 13% e 14%.

Observada de outra dimensão, a pesquisa mostra que se o aumento do acesso depende da renda – nas classes B e C o percentual foi de 68% a 80% e 38% a 47% – ele também está atrelado ao endereço. Nas cidades, o acesso passou de 38% para 54% da população. No campo, variou entre 15% e 18%.

“As políticas públicas não têm dado conta desse grande problema. Onde observamos o maior crescimento são exatamente nos mercados mais atrativos do Sul e Sudeste. Se temos interesse em levar a banda larga a 100% dos domicílios brasileiros, alguma coisa diferente tem que ser feita”, conclui Barbosa.

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